Categoria: Eleições 2026

Cobertura das eleições de 2026: segundo turno, novo Congresso e o que muda para a juventude trabalhadora.

  • Lula x Flávio: o que os programas dizem sobre trabalho e salário

    Lula x Flávio: o que os programas dizem sobre trabalho e salário

    No dia 25 de outubro, o Brasil escolhe entre dois projetos para o trabalho. Muita gente vai votar pela rejeição a um ou outro candidato, mas vale olhar o que está escrito. Neste texto comparamos o que os programas de Lula e Flávio Bolsonaro dizem sobre trabalho e salário, com base nos planos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no que os candidatos declararam.

    Não é um texto neutro, e nunca prometemos neutralidade. Mas os fatos aqui são verificáveis, e as fontes estão no fim.

    Escolhemos cinco temas que mexem direto com a vida de quem trabalha: jornada, salário mínimo, trabalho por aplicativo, primeiro emprego e sindicatos.

    Escala 6×1 e jornada de trabalho

    Lula: o programa defende o “fim da escala 6×1” e a redução da jornada para 40 horas semanais “sem corte nos salários”, segundo resumo do Estadão publicado pela Folha Vitória. É a mesma linha da PEC que está no Senado nesta semana.

    Flávio: em 6 de outubro, disse ter “uma proposta infinitamente melhor”: a “liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária”, segundo o Intercept Brasil. A proposta da oposição no Senado prevê jornada definida por acordo individual, sem sindicato, com pagamento proporcional às horas trabalhadas.

    O que isso quer dizer na prática

    Pagamento por hora com jornada “flexível” significa que, num mês fraco, o patrão pode chamar menos e pagar menos. Advogados ouvidos pelo Intercept alertam que o trabalhador pode terminar o mês ganhando menos que um salário mínimo. A campanha de Flávio diz que a proposta “não retira nenhum direito”.

    Salário mínimo

    Lula: o programa prevê a “valorização real do salário-mínimo”, ou seja, reajuste acima da inflação, dentro do eixo de combate às desigualdades.

    Flávio: o programa não traz linha sobre a regra do salário mínimo, segundo análise publicada pelo Outras Palavras. Reportagem da Folha de abril revelou um plano da equipe para corrigir aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) só pela inflação. Em setembro, o economista Adolfo Sachsida, da campanha, prometeu manter a ligação entre o mínimo e os benefícios.

    Trabalho por aplicativo

    Lula: propõe regulamentar o trabalho por aplicativos, como Uber e iFood, para garantir direitos previdenciários a motoristas e entregadores.

    Flávio: o programa diz que trabalhadores de aplicativo “serão protegidos, sem os interesses de dirigentes sindicais à frente do processo”, sem detalhar como.

    Já escrevemos sobre por que ser “empreendedor” de aplicativo não é liberdade. A diferença entre os programas é se essa categoria vai ter direitos previdenciários garantidos ou não.

    Primeiro emprego e jovens

    Flávio: o programa propõe um “contrato de trabalho para os 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego, com menor custo na folha”. Também prevê contrato “mais atrativo” para pessoas com mais de 50 anos desempregadas há mais de um ano.

    Lula: o resumo do programa não traz um contrato especial para jovens. O foco declarado é a valorização do trabalho e a redução da jornada.

    Já vimos esse filme

    “Menor custo na folha” para jovem já foi tentado em 2019, com a Carteira Verde e Amarela (MP 905). Ela reduzia o FGTS e a multa da demissão para quem estava no primeiro emprego. Gerou poucas vagas e caducou em 2020. Menos custo para a empresa quer dizer, na outra ponta, menos direito para o jovem.

    Sindicatos

    Flávio: o programa tem um capítulo chamado “O trabalhador em primeiro lugar, não o sindicato” e afirma que “o país precisa se posicionar contra a República Sindical”. Também critica a unicidade sindical, regra da Constituição que garante um sindicato por categoria em cada base.

    Lula: o programa não propõe mudar a estrutura sindical. A campanha trata a negociação coletiva como parte da valorização do trabalho.

    Para entender por que isso importa, veja nosso texto sobre greve como direito garantido na Constituição. Sindicato fraco quer dizer trabalhador negociando sozinho com a empresa.

    O que os programas de Lula e Flávio mostram sobre trabalho

    Comparando lado a lado, os programas de Lula e Flávio sobre trabalho apontam para caminhos opostos:

    • Lula: reduzir a jornada mantendo o salário, valorizar o mínimo e regulamentar aplicativos com previdência.
    • Flávio: flexibilizar a jornada por acordo individual, baratear a contratação de jovens e reduzir o papel dos sindicatos.

    Nossa posição é conhecida: direito trabalhista é conquista, e o caminho da “flexibilidade” historicamente quer dizer transferir risco do patrão para o trabalhador. Mas leia os programas você mesmo: estão disponíveis no site do TSE, no sistema DivulgaCandContas.

    Conclusão: leia, compare e converse

    O segundo turno não se decide só no debate da TV. Ele se decide em conversa de família, de trabalho, de grupo de WhatsApp. Leve informação verificada para essas conversas. Compartilhe este comparativo com quem trabalha em escala 6×1, com quem está procurando o primeiro emprego e com quem roda de aplicativo.

  • Novo Congresso 2027: o que muda para o trabalhador jovem

    Novo Congresso 2027: o que muda para o trabalhador jovem

    O segundo turno vai decidir quem senta na cadeira de presidente. Mas uma parte enorme do poder já foi decidida no dia 4 de outubro. O novo Congresso de 2027 saiu das urnas mais à direita do que o atual, e é ele que vai votar as leis sobre o seu trabalho, o seu salário e a sua aposentadoria pelos próximos quatro anos.

    O PL, partido de Jair e Flávio Bolsonaro, elegeu 121 deputados federais, a maior bancada da Câmara. No Senado, o partido chega a 28 cadeiras. São números que mudam o jogo.

    Ao mesmo tempo, os partidos tradicionais de centro perderam espaço. O “centrão” continua decisivo, mas o centro de gravidade se deslocou.

    Neste texto mostramos como ficou a composição, o que um Congresso assim consegue fazer (ou travar) e o que isso significa para a juventude trabalhadora.

    Como ficou a Câmara dos Deputados

    Segundo a apuração publicada pela CNN Brasil, estas são as maiores bancadas eleitas para 2027:

    • PL: 121 deputados (eram 99 eleitos em 2022)
    • Federação PT-PCdoB-PV: 88
    • União-PP: 87
    • PSD: 43
    • Republicanos: 41
    • MDB: 36
    • Podemos: 27
    • PSB: 15
    • Federação PSOL-Rede: 15
    • PSDB-Cidadania: 11
    • Novo: 10

    A Câmara tem 513 cadeiras. Os números ainda podem ter ajustes finos até a diplomação pelo TSE.

    O que dá para fazer com esses números

    Uma PEC precisa de 171 assinaturas só para começar a tramitar. Somados, PL, Novo e Republicanos passam desse mínimo, como observou o O Povo. Ou seja: a direita sozinha consegue propor mudanças na Constituição, sem precisar de mais ninguém.

    Como ficou o Senado

    No Senado, a mudança é ainda mais forte. Das 54 vagas em disputa, 33 foram para nomes alinhados à direita ou à extrema direita, segundo levantamento do Extra Classe. A partir de 2027, esse campo deve somar pelo menos 50 dos 81 senadores.

    Só o PL terá 28 senadores. Com isso, o partido sozinho consegue abrir uma CPI, que exige 27 assinaturas.

    Por que o Senado pesa tanto

    É no Senado que muita pauta trabalhista morre. A PEC do fim da escala 6×1, por exemplo, ficou meses parada lá depois de aprovada na Câmara. O Senado também aprova indicações ao Supremo Tribunal Federal e pode abrir processos de impeachment.

    O que um Congresso assim significa para quem trabalha

    Um Congresso mais à direita não quer dizer que todo direito cai no dia seguinte. Mas muda a correlação de forças, ou seja, o tamanho de cada lado na disputa.

    Algumas consequências prováveis, a partir do que os próprios eleitos defendem:

    • Pautas como o fim da escala 6×1 ficam mais difíceis a partir de 2027. Por isso há pressa para votar ainda neste ano, com o Congresso atual.
    • Propostas de flexibilização, como jornada “flexível”, contratos com menos encargos para jovens e negociação individual, ganham terreno. Esses pontos aparecem no programa de Flávio Bolsonaro.
    • Orçamento de saúde e educação fica mais exposto a cortes. Já mostramos como o SUS sofre com o subfinanciamento mesmo em cenários mais favoráveis.

    Por que a juventude é a mais afetada

    Quem tem 18, 20, 25 anos é quem vai viver por mais tempo sob as regras que esse Congresso aprovar. E é a faixa que mais trabalha em empregos precários: comércio, aplicativo, telemarketing, escala 6×1.

    Contrato “mais barato” para jovem quase sempre quer dizer menos direito para jovem. Foi o que se tentou com a Carteira Verde e Amarela, que reduzia FGTS e multa rescisória para quem estava no primeiro emprego.

    Eleição não é o único terreno de luta

    O resultado no Congresso é ruim para a classe trabalhadora, e não adianta fingir que não é. Mas a história mostra que conquista não vem só de voto: vem de organização. O Congresso que aprovou a reforma trabalhista em 2017 também foi o que, sob pressão das ruas, agora discute reduzir a jornada.

    É por isso que defendemos que a juventude precisa se organizar politicamente, em sindicato, movimento estudantil, coletivo de bairro. Um Congresso hostil se enfrenta com gente organizada do lado de fora.

    Conclusão: o novo Congresso 2027 exige mais organização

    O novo Congresso 2027 é mais conservador, com o PL maior nas duas Casas. Isso torna mais difícil avançar em direitos e mais fácil retirá-los. A resposta não é desânimo: é acompanhar votação por votação, cobrar quem foi eleito e construir força fora do parlamento.

    Compartilhe com quem acha que a eleição acabou no dia 4. Ela está só começando.

  • Por que a juventude precisa se organizar politicamente em 2026 (e como começar)

    Por que a juventude precisa se organizar politicamente em 2026 (e como começar)

    Por que a juventude precisa se organizar politicamente em 2026 (e como começar)

    Em 2026, o Brasil tem cerca de 1,61 milhão de eleitores de 16 e 17 anos cadastrados no TSE. É uma queda de aproximadamente 24% em relação a 2022. Em três pesquisas eleitorais distintas divulgadas entre fevereiro e abril deste ano, a extrema-direita triplicou sua presença na faixa de 16 a 24 anos (saindo de cerca de 6% para 17% em intenção de voto), enquanto a esquerda perdeu cerca de um terço de seu eleitorado jovem (de 27% para 18%). O dado, sintetizado em reportagem da Atlas Intel, é o sinal mais nítido de uma reorganização ideológica geracional em curso. A juventude brasileira está se movendo — e a esquerda está perdendo.

    O texto não é um lamento. É um chamado. Em ano eleitoral decisivo — com a presidência em disputa, dois terços do Senado em renovação, governos estaduais inteiros em jogo —, a juventude trabalhadora brasileira chega ao ano-chave com participação eleitoral em queda, intenção de voto fragmentada e desencanto crescente com a política institucional. O resultado pode ser duplo: derrota imediata em outubro e derrota estrutural por toda a próxima década, se uma geração inteira aceitar passivamente o papel de espectadora de sua própria história.

    O argumento deste post é direto: organização política não é mais opcional para a juventude em 2026. Não basta votar bem. Não basta postar bem. Em conjuntura de captura ideológica acelerada da geração Z pelo trumpismo brasileiro e pela direita libertária, individualismo e indignação solitária são derrotas garantidas. A reação possível tem nome técnico, e é antigo: organização política coletiva. Sindicato, partido, movimento social, coletivo de bairro, grêmio estudantil, núcleo de leitura. Algo. Qualquer coisa coletiva. A solidão é o terreno onde a extrema-direita ganha.

    Vamos ver, em três partes: por que está acontecendo essa fuga da juventude da política tradicional; por que isso é especialmente perigoso na conjuntura de 2026; e o que, concretamente, é possível fazer a partir de agora, sem esperar próximo ciclo eleitoral nenhum.

    Por que a juventude está se afastando da política tradicional

    Três fatores estruturais explicam o quadro atual, e nenhum deles se resolve com discurso moralista do tipo “essa juventude precisa estudar mais política”.

    1. Falta de perspectiva material

    A juventude que vai votar pela primeira vez em 2026 cresceu em um país de crises sucessivas: 2015-2016 (recessão e impeachment), 2017-2019 (reforma trabalhista, governo Temer, ascensão bolsonarista), 2020-2022 (pandemia, desemprego, fome), 2023-2025 (inflação alta, juro alto, desemprego estrutural). É uma geração que entra no mercado de trabalho sem perspectiva concreta de carreira, moradia ou aposentadoria — e, em larga medida, sem nem mesmo um vínculo formal de trabalho que permita planejar a vida em horizontes maiores que duas semanas. O afastamento da política institucional não é frivolidade. É reflexo de uma estrutura que parou de oferecer recompensas para a participação na vida pública.

    2. Crise de representação da esquerda institucional

    Reportagem de Outras Palavras intitulada “Juventude e Esquerda: um adeus?” sintetiza um diagnóstico que muitos militantes já fazem em conversas privadas: a esquerda institucional brasileira, no formato dos governos petistas pós-2003, ofereceu políticas redistributivas importantes, mas perdeu, ao longo do tempo, a capacidade de mobilizar simbólica e culturalmente a juventude. Discurso técnico de governo substituiu discurso de transformação. Defesa do status quo contra o golpismo bolsonarista virou identidade principal — e o resultado é que, para uma geração que nasceu já com a esquerda no poder em parte do ciclo, o governo Lula parece continuidade, não ruptura.

    3. Captura algorítmica e estética da direita digital

    A direita libertária e o trumpismo brasileiro — incluindo nomes como Renan Santos, do MBL, que cresceu de 15,9% para 24,7% entre jovens de 16-24 anos entre fevereiro e março de 2026 — investiram pesado em comunicação rápida, visual, irônica, antissistema. Vídeos curtos, memes, vocabulário de internet, persona de “rebelde contra o establishment”. É uma estética que captura jovem em busca de pertencimento. A esquerda, ainda presa em formatos longos e em vocabulário acadêmico, perde sistematicamente nesse terreno — apesar de ter, em última análise, conteúdo material muito mais consistente.

    Por que a despolitização é projeto de classe — não acaso

    Há uma tese subjacente neste texto que precisa ficar explícita. A despolitização da juventude não é fenômeno espontâneo, não é resultado de “preguiça mental geracional”, não é culpa do TikTok. É produto de um projeto coordenado das classes dominantes brasileiras e internacionais para tirar de cena a única força social capaz de alterar a correlação de forças no longo prazo: a juventude trabalhadora organizada.

    Pense historicamente. Foram jovens estudantes e operários que protagonizaram 1968, em Paris, México, Brasil. Foi uma juventude que ousou a redemocratização em 1984 com o Diretas Já. Foram jovens secundaristas que ocuparam escolas em 2015-2016 contra o ataque ao ensino médio. Foi a juventude periférica de São Paulo que organizou as Jornadas de Junho em 2013 — antes de a pauta ser capturada e fragmentada. Quando a juventude se organiza, a estrutura se mexe. Quando a juventude se desorganiza, o capital governa em paz.

    O projeto de despolitização tem três pilares: (a) precarização do trabalho — o jovem que faz 14 horas no app não tem tempo nem energia para reunião de coletivo; (b) endividamento estrutural — o jovem que paga financiamento de moto, faculdade EAD e Pix do mês não tem como faltar do trabalho para protesto; (c) algoritmização do tempo livre — o jovem que dorme com TikTok no fone não tem espaço mental sobrando para a complexidade da política. É um cerco. Quem entender isso entende por que a saída precisa ser organização coletiva, e não esforço individual.

    Por onde começar: organização possível em 2026

    Organização política não significa, necessariamente, filiação partidária imediata. Significa vínculo coletivo regular com uma estrutura que pratica política. Lista, em ordem de viabilidade prática para uma juventude que talvez nunca tenha frequentado reunião nenhuma:

    Coletivos universitários e secundaristas

    Se você estuda, é o caminho de entrada mais natural. Grêmio estudantil, DCE, coletivos de pesquisa, núcleos de leitura política. A vantagem: você já está no espaço, já conhece pessoas, não precisa fazer deslocamento extra. Procure no mural da faculdade, no Instagram do diretório acadêmico, no grupo de WhatsApp do curso. Apareça em uma reunião. Só isso.

    Sindicatos da sua categoria — inclusive entregadores e motoristas

    Se você trabalha em aplicativo, em telemarketing, em loja, em escola, em hospital, em construção — há sindicato, mesmo que precarizado. Os sindicatos de entregadores e motoristas de plataforma cresceram em todo o país nos últimos dois anos. Procure. Liga dos Motoristas, AAMOT-RJ, Aliança Nacional dos Entregadores, União Geral dos Trabalhadores Plataformizados são alguns exemplos. Para outras categorias, sindicato municipal ou estadual da profissão.

    Movimentos populares e de bairro

    MST tem núcleos urbanos em muitas capitais. MTST organiza ocupações por moradia. Associações de moradores de periferia, coletivos de mulheres, coletivos LGBT, núcleos antirracistas. Há, em quase toda cidade média brasileira, dezenas de iniciativas. Pergunte. Use o Instagram. Liste três delas e vá apresentar-se em uma reunião aberta.

    Partidos políticos da esquerda

    PT, PSOL, PCdoB, PSB, Rede, UP têm núcleos municipais com diferentes graus de atividade. Se a base partidária local for fraca, talvez não seja o melhor primeiro passo. Mas se houver núcleo ativo da sua simpatia política, filiar-se é decisão simples — e te dá acesso a estrutura, formação, rede.

    Núcleos de formação política autônomos

    Há ainda dezenas de iniciativas de formação política autônoma — Marxismo 21, Fundação Lauro Campos, escolas populares de movimentos sociais, círculos de estudos. Excelente porta de entrada para quem quer estudar antes de militar. Mas atenção: estudo sem prática vira intelectualismo. Combine sempre formação com algum tipo de inserção concreta em organização que faz política.

    O voto importa, mas é só o começo

    Em outubro de 2026, a juventude trabalhadora brasileira vai escolher presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual. Cinco votos em cada eleitor. É decisão importante, e este blog vai dedicar muitos textos a discutir como construir essa decisão racionalmente. Mas vale repetir uma verdade incômoda: quem só vota perde quase sempre. O capital opera 365 dias por ano. A direita organizada opera 365 dias por ano. Só a esquerda parece achar que política é um evento bienal.

    Em 4 de outubro de 2026, a urna vai registrar a foto de um processo de organização que vinha sendo construído (ou não) nos meses e anos anteriores. Quem se organizou ganha mais. Quem não se organizou apenas vota — e fica refém do que a urna devolver. Para a juventude que se vê na esquerda, o convite é simples e antigo: pare de ser só eleitor. Vire militante de alguma coisa. Qualquer coisa coletiva.

    Conclusão: a história não espera ninguém

    A juventude brasileira está em encruzilhada. Pode aceitar a captura ideológica em curso — assistir, em camarote, à transformação de uma geração inteira em base eleitoral do trumpismo nacional — ou pode reagir, organizar-se, retomar a iniciativa. Há mais material de organização disponível hoje no Brasil do que em qualquer momento desde 1985: sindicatos novos, coletivos de plataforma, movimentos urbanos, núcleos universitários, partidos com porta aberta. O que falta não é estrutura, é decisão pessoal de procurar.

    Não existe juventude que muda história sem se incomodar. Não existe transformação política sem reunião enfadonha, sem panfleto na chuva, sem discussão coletiva sobre qual cartaz colocar. É chato — e é exatamente isso o que faz a diferença entre quem só vota e quem efetivamente disputa o futuro do país. Em 2026, o Brasil precisa do segundo tipo de juventude. E precisa agora.

    Compartilhe este texto com aquele amigo seu que reclama de tudo mas nunca participou de nada. Comente embaixo a sua experiência — onde você se organiza, ou por onde está pensando em começar. E procure, ainda esta semana, uma estrutura coletiva da sua cidade. Pode ser grêmio, sindicato, partido, coletivo de bairro, núcleo de leitura. Organização não é luxo. É a única forma concreta de a juventude brasileira não ser engolida em 2026.


    Para conectar o chamamento à organização com as disputas concretas de 2026, leia também: Precarização digital: por que ser “empreendedor” de app não é liberdade · Educação pública sob ataque: o que está em jogo para a juventude · Imperialismo hoje: como os EUA voltaram a intervir na América Latina · Racismo estrutural: como o Brasil mantém a desigualdade no século XXI.

    Fontes consultadas: Gazeta de São Paulo — Queda de 24% no eleitorado jovem; Portal de Prefeitura — Crescimento de Renan Santos entre jovens; Outras Palavras — Juventude e Esquerda: um adeus?; Jornal Grande Bahia — Jovens e conservadorismo; CNN Brasil — Abstenção entre jovens.