No primeiro turno de 2026, 33,4 milhões de brasileiros aptos a votar não apareceram na urna. É mais gente do que a população inteira de vários países da América do Sul. A abstenção nas eleições de 2026 chegou a 21,08% do eleitorado, segundo dados do TSE divulgados pela Agência Brasil.
Agora compare: a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno foi de cerca de 2,2 milhões de votos. A abstenção é 15 vezes maior que isso.
Em outras palavras, quem vai decidir o dia 25 não é só quem votou no dia 4. É também quem ficou em casa.
Neste texto mostramos os números, discutimos por que tanta gente deixa de votar e o que isso tem a ver com a juventude trabalhadora.
Os números da abstenção em 2026
- Eleitorado: 158,7 milhões de pessoas aptas.
- Compareceram: cerca de 125,2 milhões.
- Abstenção: 33,4 milhões, ou 21,08%.
- Em 2022: a abstenção do primeiro turno foi de 20,9%, cerca de 32,7 milhões.
- Brancos e nulos para presidente: 2,3 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de nulos.
Em número absoluto, é a maior abstenção numa eleição geral recente. Em percentual, fica perto do patamar de 1998 (21,49%).
E a juventude?
O voto é facultativo para quem tem 16 ou 17 anos. Em 2026, os eleitores de 16 a 18 anos somam pouco mais de 3,5 milhões, cerca de 2,25% do eleitorado. Em 2022 eram cerca de 4,1 milhões, segundo dados do TSE citados pela Tribuna do Planalto. Ou seja, menos jovens tiraram o título.
Isso conversa com o que já discutimos sobre por que a juventude precisa se organizar politicamente. Quando o jovem não se vê representado, ele se afasta. E, quando se afasta, quem decide são os outros.
Por que tanta gente não vota
Não existe uma causa só. Algumas explicações aparecem com frequência entre pesquisadores e na experiência de quem trabalha:
Trabalho e distância
Muita gente trabalha no domingo da eleição, em comércio, transporte, saúde, aplicativo. Outros mudaram de cidade e não transferiram o título. Para quem mora longe da seção, o custo da passagem já pesava antes do transporte gratuito virar regra nacional.
Descrença
Uma parte grande deixa de votar porque acha que “nada muda”. É uma reação compreensível quando a vida não melhora de eleição para eleição. Mas a descrença não esvazia o poder: só entrega a decisão a quem continua votando.
Desorganização da vida
Título cancelado por falta de justificativa, multa não paga, documento perdido. A burocracia afasta justamente quem tem a vida mais corrida.
O que a abstenção tem a ver com classe
Abstenção não é igual em todos os lugares. Ela costuma ser maior onde a vida é mais difícil: periferias, regiões mais pobres, trabalhadores com jornadas longas. Quem trabalha em escala 6×1 e tem um dia de folga por semana muitas vezes precisa escolher entre resolver a vida e ir votar.
Por isso, aumentar o comparecimento também é uma pauta de classe. Transporte gratuito no dia da votação, seções perto de casa e menos burocracia são medidas que ampliam a participação de quem mais depende do Estado.
O TSE quer reduzir a abstenção no 2º turno
O TSE anunciou que vai trabalhar para reduzir a abstenção no segundo turno, segundo a Agência Brasil. O transporte público urbano deve ser gratuito no dia 25 e, mesmo quem faltou no primeiro turno, pode votar no segundo se o título estiver regular.
Na sexta-feira (23) publicamos um guia prático com tudo o que você precisa para votar.
Conclusão: a abstenção nas eleições 2026 pode decidir o resultado
A abstenção nas eleições de 2026 é maior que a diferença entre os dois candidatos. Isso faz de cada pessoa que ficou em casa no dia 4 alguém que pode decidir o dia 25.
Converse com quem não foi votar. Não com sermão, mas com informação: onde vota, como chegar, o que está em jogo para o trabalho e o salário. Compartilhe este texto.

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