Glossário Marxista

Termos centrais do pensamento marxista, explicados de forma direta e acessível. Útil para quem está começando — e para revisitar quando o conceito ficar fugidio.

Acumulação primitiva

O processo histórico de concentração de capital nas mãos de poucos, anterior ao funcionamento “normal” do capitalismo. Inclui o cercamento das terras comunais na Inglaterra, o saque colonial das Américas e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Marx mostra que o capitalismo nasceu — literalmente — de violência massiva, não de acúmulo virtuoso.

Veja também: A Luta de Classes na História.

Burguesia

Classe social proprietária dos meios de produção (fábricas, terras, capital financeiro). No capitalismo, a burguesia vive da mais-valia extraída do trabalho assalariado.

Veja também: A Luta de Classes na História.

Capital

Não é simplesmente “dinheiro” — é dinheiro que se valoriza ao circular pela produção, gerando mais dinheiro através da exploração do trabalho. Capital é uma relação social, não uma coisa.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas e Crises Econômicas do Capitalismo.

Capitalismo

Modo de produção baseado na propriedade privada dos meios de produção, no trabalho assalariado e na produção de mercadorias para o mercado. Surge entre os séculos XVI e XIX e domina a economia mundial até hoje.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas e Crises Econômicas do Capitalismo.

Classe social

Para o marxismo, classe é definida pela relação com os meios de produção: quem é dono e quem trabalha para quem é dono. Veja: A Luta de Classes na História.

Veja também: A Luta de Classes na História.

Comunismo

Sociedade sem classes, sem propriedade privada dos meios de produção e sem Estado. Para Marx, é a fase final da emancipação humana, posterior ao socialismo. Não confundir com regimes do século XX que se autodeclararam “comunistas” — esses eram, segundo a teoria, sociedades em transição.

Veja também: A Luta de Classes na História.

Dialética

Método de análise que parte do princípio de que a realidade está em constante movimento por meio de contradições internas. Toda coisa contém seu contrário, e desse choque nasce o novo. Marx herdou a dialética de Hegel e a virou de cabeça para baixo.

Veja também: Introdução ao Materialismo Histórico.

Economia política

Estudo da produção, distribuição e troca da riqueza, considerando que essas são relações sociais, não fenômenos naturais. Veja: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas.

Fetichismo da mercadoria

O fenômeno pelo qual relações sociais entre pessoas aparecem como relações entre coisas. No capitalismo, mercadorias parecem ter “vida própria” e suas relações ocultam o trabalho humano que as produz.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas.

Forças produtivas

Conjunto de meios materiais e humanos para produzir: tecnologia, ferramentas, conhecimento técnico, força de trabalho. Quando as forças produtivas amadurecem além das relações de produção dominantes, abre-se janela revolucionária.

Veja também: Introdução ao Materialismo Histórico.

Idealismo

Corrente filosófica que vê as ideias, espíritos ou consciências como o motor da história. Marx contrastou seu método (materialismo histórico) com o idealismo dominante em sua época, especialmente o de Hegel.

Veja também: Introdução ao Materialismo Histórico.

Imperialismo

Para Lênin, é a fase superior do capitalismo, marcada por monopólios, capital financeiro e disputa por zonas de influência globais. Veja: O Imperialismo Moderno.

Veja também: O Imperialismo Moderno.

Lumpenproletariado

Camadas marginalizadas da classe trabalhadora — desempregados crônicos, pessoas sem domicílio, criminalizadas pelo sistema. Marx as via com ambivalência; análises mais recentes (especialmente no Brasil) discutem seu papel político de forma menos esquemática.

Veja também: A Luta de Classes na História.

Mais-valia

O valor produzido pelo trabalhador além do que ele recebe como salário, apropriado pelo capitalista. É o coração da exploração capitalista — não há fraude, mas há extração de valor não pago.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas e Crises Econômicas do Capitalismo.

Materialismo histórico

Método marxista de análise da sociedade, que parte das condições materiais de produção para entender ideias, política e cultura. Veja: Introdução ao Materialismo Histórico.

Veja também: Introdução ao Materialismo Histórico.

Mercadoria

Produto do trabalho destinado à troca no mercado. Tem valor de uso (utilidade) e valor de troca (quantitativo). No capitalismo, tudo tende a virar mercadoria — incluindo a força de trabalho.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas e Crises Econômicas do Capitalismo.

Modo de produção

Combinação entre forças produtivas e relações de produção que define como uma sociedade se organiza economicamente. Marx identificou o comunismo primitivo, escravismo, feudalismo, capitalismo e socialismo como modos sucessivos.

Veja também: Introdução ao Materialismo Histórico.

Proletariado

Classe social que não possui meios de produção e precisa vender sua força de trabalho por salário para sobreviver. No capitalismo industrial clássico, eram os operários de fábrica; hoje, inclui trabalhadores de serviço, plataforma, atendimento, etc.

Veja também: A Luta de Classes na História.

Relações de produção

Os vínculos sociais estabelecidos entre as pessoas no processo de produção: quem manda, quem executa, quem é dono, quem trabalha. Diferentes modos de produção têm diferentes relações de produção.

Veja também: Introdução ao Materialismo Histórico.

Reprodução social

Conjunto de atividades necessárias para reproduzir cotidianamente a força de trabalho — alimentação, moradia, cuidado, educação. Inclui o trabalho doméstico não pago, historicamente realizado por mulheres. Conceito central no feminismo marxista.

Veja também: A Luta de Classes na História.

Socialismo

Fase de transição entre capitalismo e comunismo: os meios de produção passam a ser de propriedade coletiva (não mais privada), mas ainda há Estado, divisão do trabalho e algumas desigualdades.

Veja também: Crises Econômicas do Capitalismo.

Superestrutura

Conjunto de instituições jurídicas, políticas, ideológicas e culturais que se erguem sobre a base econômica de uma sociedade. Direito, religião, mídia e Estado são parte da superestrutura.

Veja também: Introdução ao Materialismo Histórico.

Trabalho abstrato e trabalho concreto

O trabalho concreto produz valores de uso específicos (sapato, pão). O trabalho abstrato é o “gasto de energia humana” que dá valor às mercadorias. A distinção é central na teoria do valor de Marx.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas.

Valor de troca

A quantidade de outras mercadorias pela qual algo se troca no mercado. Na teoria marxista, é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-lo.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas e Crises Econômicas do Capitalismo.

Valor de uso

A utilidade concreta de uma mercadoria — o que ela serve para satisfazer. Diferente do valor de troca, é qualitativo.

Veja também: Economia Política: Análise das Estruturas Econômicas e Crises Econômicas do Capitalismo.